Cresceu
internamente no Supremo Tribunal Federal (STF) a pressão para que a presidente
da corte, ministra Carmen Lúcia, coloque em pauta o julgamento das ações
sobre prisão de condenados em segunda instância.
Na
terça-feira, a Segunda Turma da Corte decidiu, por unanimidade, encaminhar ao
plenário a análise de dois habeas corpus que tratam de prisão nestes casos. Os
ministros Edson Fachin, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello apontaram a
necessidade de uma decisão do pleno sobre o mérito das duas ações antes da
decisão sobre casos concretos.
Isso ocorre
no momento em que é discutida a possibilidade de prisão do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, condenado em janeiro pelo Tribunal Regional Federal
da 4.ª Região (TRF-4). Cármen Lúcia já declarou que rediscutir as ações
que tratam da prisão em segundo grau, tendo como pano de fundo o caso do
ex-presidente, seria apequenar o Supremo. Ela ainda não indicou data de
quando poderá pôr em julgamento essas ações.
O plenário
do STF decidiu em outubro, por 6 votos a 5, num julgamento de medida
cautelar, que é possível a prisão de condenados em segunda instância e que
isso não seria uma afronta ao princípio da presunção da inocência nem ao trecho
da Constituição que diz que a prisão só deve ocorrer quando não couber mais
recurso.
Na sessão
de terça-feira, a Segunda Turma julgaria dois habeas corpus de presos que
envolvem essa discussão. Mas os ministros preferiram enviar os casos para o
plenário, para que o entendimento sobre o assunto fosse unificado e atendesse
todos os réus na mesma condição.
O ministro
Gilmar Mendes, que integra a Segunda Turma, não estava presente. Fachin,
relator da Lava-Jato, já tinha tomado atitude semelhante recentemente, quando
indicou que o habeas corpus de Lula fosse julgado em plenário, por tratar da
mesma polêmica.
Os habeas
corpus de Lula, junto com os dois referentes aos presos desconhecidos, também
dependem da presidente do Supremo para serem pautados em plenário. O mesmo
acontece com as duas ações que tratam do assunto de forma genérica, sem citar
um réu específico. Agora, com cinco processos na fila da pauta, a ministra fica
ainda mais pressionada para definir uma data do julgamento.

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