O
ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva protagonizou a primeira montanha russa
das eleições de 2018. Líder absoluto das pesquisas de intenção de voto e
condenado em segunda instância no pelo caso do tríplex, o petista se enquadra
na Lei da Ficha Limpa e pode ter sua candidatura inviabilizada. Ainda cabem
recursos em instâncias superiores, mas sua candidatura torna-se cada vez mais
difícil.
A
estratégia pública do PT é apostar todas as fichas em Lula. Em entrevista ao
Yahoo, o deputado Paulo Teixeira declara que o partido vai “manter sua
candidatura e recorrer até a última instância para que ele seja absolvido.
Evidentemente que se ganharmos os recursos, ele será o nosso candidato. Só
pensaremos em outra hipótese depois da análise final do poder judiciário. Tanto
[Fernando] Haddad quanto [Jaques] Wagner são grandes nomes, de vencedores, mas
hoje nosso a, b, c até z é o Lula”.
Findos os
prazos e esgotados os recursos, o partido pretende lançar um novo nome que
surfe na onda da popularidade do ex-presidente e herde os 37% das intenções de
voto. Uma cartada semelhante, porém mais ousada, do que as indicações de Dilma
Rousseff para a presidência, em 2010 e 2014, e de Fernando Haddad à prefeitura
de São Paulo, em 2012 e 2016.
Mas esta
estratégia esbarra em algumas dificuldades. Em entrevista ao Yahoo, o professor
do departamento de sociologia da USP, Ricardo Musse, elencou os entraves do
partido nestas eleições:
Força de coligação
A coligação
de partidos é um fator fundamental para o desempenho de um candidato. Em 2014,
a coligação que elegeu Dilma Rousseff à Presidência era composta por nove
partidos: PT, PMDB, PSD, PP, PR, PROS, PDT, PCdoB e PRB. Com o impeachment e o
rompimento do PT com alguns partidos, as coisas mudaram.
O deputado
Paulo Teixeira revelou que o partido tem mantido conversas com PCdoB, PDT, PSB
e Psol. No entanto, todos esses partidos possuem ou sondam candidaturas
próprias. Para Musse, a dificuldade do PT em fazer coligação existe
“basicamente pelo fato de não ter um candidato definido. Então, os partidos
estão esperando essa confirmação. Acho difícil ter essa parceria com o PDT
porque a candidatura de Ciro está bastante alavancada. Se a Manuela mantiver os
índices, é provável que o PCdoB (histórico aliado do Partidos do Trabalhadores]
desista de sua candidatura.
Força nos estados
Um dos
grandes contribuidores para uma eleição à presidência é força do partido nos
estados. Atualmente, o PT tem governadores em cinco deles: Acre, Bahia, Ceará,
Minas Gerais e Piauí. O PMDB lidera a lista, com sete, e o PSDB está em segundo
lugar, com seis. Se PMDB e PSDB se juntarem para essas eleições, fica mais
difícil para que o PT trabalhe seus votos nos estados liderados por esses
partidos.
Prisão ou liberdade?
Lula será a
principal carta do candidato do PT para se consolidar no primeiro turno.
Justamente por isso, a condição do ex-presidente será fundamental. Se Lula
estiver apenas condenado, mas em liberdade, terá condições de participar da
campanha, subir em palanques durante os comícios e aparecer no programa
eleitoral na televisão.
“Se o Lula vai estiver preso e incomunicável, o candidato perderá força de impacto”, avalia o professor Musse.
“Se o Lula vai estiver preso e incomunicável, o candidato perderá força de impacto”, avalia o professor Musse.
Os substitutos
Os nomes
mais cotados dentro do PT para substituir Lula na campanha são os de Jaques
Wagner e Fernando Haddad. Wagner foi governador da Bahia, entre 2007 e 2014;
ministro-chefe da Casa Civil, entre 2015 e 2016; além de ter chefiado outros
três ministérios nos governos Lula e Dilma e ter tido três mandatos
como deputado federal. Já Fernando Haddad foi prefeito de São Paulo entre 2013
e 2016, e ministro da Educação de 2005 a 2012.
Para Musse,
os dois nomes são viáveis “porque possuem experiência tanto em ministérios como
no Executivo. São pessoas que ajudaram o Lula em seu governo, um ponto a ser
enfatizado, já que a campanha da Dilma foi toda feita em cima disso”. Mas há
desvantagens: “por não terem iniciado a campanha há mais tempo, não se
projetaram nacionalmente. Ambos são pouco conhecidos fora de seus estados”,
avalia o professor.
Lula é maior que o PT
Mesmo
condenado em segunda instância e réu em seis processos pela Lava Jato, Lula é o
nome mais forte do cenário eleitoral. É também o nome mais forte do seu
partido. Em entrevista, o deputado Paulo Teixeira foi taxativo: “o eleitor quer
votar no Lula”. Mesmo sem saber, o deputado revelou um diagnóstico: seu líder é
maior que seu partido.
Para Musse, isso acontece porque o partido ainda é muito dependente de seu líder. “O PT não tem, exceto Lula, um candidato natural. Em situação comum, após a condenação, o caminho seria a realização de prévias. Mas o mais provável é que o candidato seja indicado pelo próprio Lula. Não há indicação que seja feita nem pelas bases do partido, nem pelos diretórios.” O professor chama atenção para as pesquisas. Na última pesquisa divulgada pelo Datafolha, o Partido dos Trabalhadores era a agremiação política preferida de 20% da população, enquanto Lula era o candidato escolhido por 37% do público.
Para Musse, isso acontece porque o partido ainda é muito dependente de seu líder. “O PT não tem, exceto Lula, um candidato natural. Em situação comum, após a condenação, o caminho seria a realização de prévias. Mas o mais provável é que o candidato seja indicado pelo próprio Lula. Não há indicação que seja feita nem pelas bases do partido, nem pelos diretórios.” O professor chama atenção para as pesquisas. Na última pesquisa divulgada pelo Datafolha, o Partido dos Trabalhadores era a agremiação política preferida de 20% da população, enquanto Lula era o candidato escolhido por 37% do público.
A campanha
Apesar de
as pesquisas indicarem um cenário em volta de nomes como Lula, Jair Bolsonaro,
Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Luciano Huck, tudo ainda é incerto.
Primeiro, porque muitas candidaturas ainda não foram definidas e as coligações
não foram estabelecidas. Jair Bolsonaro não tem partido, Marina Silva não
declarou sua pré-candidatura, Geraldo Alckmin enfrenta resistência dentro de
seu partido, e Luciano Huck, até então, desistiu da corrida presidencial.
E o PMDB,
maior partido do país, não decidiu se lançará candidatura própria ou se comporá
uma coligação. Para o professor Musse, “o resultado das pesquisas não é algo
que nós possamos pensar que vai se reproduzir ao longo da campanha, muito menos
nas eleições”.



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