terça-feira, 31 de março de 2020

Coronavírus: Crise gera incerteza sobre eleições de 2020 e sobre uso do fundo eleitoral no combate ao Covid-19


A crise provocada pelo coronavírus e a incerteza sobre a duração da pandemia iniciou um movimento em defesa do adiamento das eleições municipais previstas para outubro de 2020. Pelo calendário eleitoral, as campanhas devem começar no dia 16 de agosto.
Dois projetos devem tramitar no Congresso pedindo o adiamento do pleito, com a justificativa da crise causada pelo coronavírus.
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No Senado, Major Olímpio (PSL-SP) vai apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição para adiar as eleições, enquanto que na Câmara, proposta com o mesmo teor foi sugerida pelo deputado Aécio Neves (PSDB-MG). 
Desta forma, os mandatos dos atuais prefeitos e vereadores seriam estendidos até 2023, e as eleições municipais seriam unificadas com a votação para presidente, governadores, deputados federais e estaduais. 
As PECs prevêem ainda que o Fundo Eleitoral seja usado no combate ao coronavírus.
“A quem interessa discutir agora adiamento da eleição?”, diz Simone Tebet
A discussão sobre o adiamento das eleições começou com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que defendeu a medida em razão da pandemia.
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, divulgou nota no sábado (29) afirmando que o debate é precoce e que calendário eleitoral de 2020 está sendo cumprido, apesar da crise sem precedentes no sistema de saúde do país causada pela pandemia.
“Neste momento é prematuro tratar de adiamento das Eleições Municipais 2020”, destacou.
A medida também não é consenso no Congresso.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a discussão sobre o possível adiamento é “completamente equivocada” e que o processo político-eleitoral não deve fazer parte dos debates para a construção de soluções para o enfrentamento da crise.
“A discussão de adiar as eleições é uma discussão completamente equivocada. Nestes próximos meses, o nosso foco deve e será, certamente, do Poder Executivo, do Parlamento e do Judiciário, o enfrentamento a essa crise, com os Três Poderes trabalhando de forma unida”, declarou o deputado.
A senadora Simone Tebet (MDB-MS), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, questionou: “A quem interessa discutir agora adiamento da eleição?”. No entanto, ela defendeu que o Fundo Eleitoral deve ser destinado ao combate do Covid-19.
FUNDO ELEITORAL
O senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso, condicionou a proposta de uso de R$ 2 bilhões do fundo eleitoral no combate ao coronavírus ao adiamento das eleições. 
Por outro lado, ele rejeitou a utilização do fundo partidário - verbas públicas que custeiam os partidos políticos - para enfrentamento da crise. 
O senador é relator da Medida Provisória 924/2020, que abre crédito extraordinário de R$ 5 bilhões para os Ministério da Saúde e da Educação desenvolverem ações de combate ao Covid-19.
Eduardo Gomes aceitou parcialmente uma emenda do líder da Rede, senador Randolfe Rodrigues (AP), que autoriza o Poder Executivo a remanejar recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral para injetar recursos na saúde e na economia.
Além dos R$ 2 bilhões para o Fundo Eleitoral, o Orçamento de 2020 reservou R$ 1 bilhão para os partidos gastarem nas despesas com atividades das legendas como contas de luz, água, aluguéis das sedes, transporte e viagens.
Segundo o relator da MP, caso a evolução da pandemia no Brasil impeça as eleições municipais de outubro, o dinheiro deve ser bloqueado e usado para combater o coronavírus, tratar os doentes e complementar a renda de pessoas prejudicadas pelo estado de calamidade. 
“Diante do cenário vivenciado pelo país com a chegada da covid-19, há fundadas incertezas quanto à viabilidade de ser realizado esse pleito eleitoral. Por essa razão, entendo que, caso o agravamento da crise econômico-social decorrente da pandemia nos imponha o adiamento das eleições municipais, as dotações destinadas ao Fundo Especial de Financiamento de Campanhas deixam de fazer sentido”, argumenta Eduardo Gomes.
A decisão do senador é contrária ao que tem defendido nas redes sociais apoiadores e filhos do presidente Jair Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) chegou a protocolar projeto autorizando a transferência do fundo eleitoral.
A medida provisória agora deve ser votada nos plenários das duas Casas, ainda sem data marcada.
Em decisão proferida na sexta-feira (27), a juíza Frana Mendes, da Justiça Federal do Rio de Janeiro, deu um prazo de três dias para que o Congresso Nacional ou o presidente Jair Bolsonaro decida sobre o uso do fundo eleitoral para o combate ao novo coronavírus.
A magistrada afirma que se não houver uma decisão sobre o caso até 31 de março, ela mesma decidirá sobre o tema. O despacho é fruto de uma ação popular. 
Instalou-se no país um cenário de total incerteza e, na medida em que a própria lei que instituiu o aludido Fundo determina que os recursos não utilizados pelos partidos políticos será devolvida ao Tesouro Nacional, é irrazoável que se deixe uma população de mais de 200 milhões de habitantes à mercê de tais partidos, para que somente daqui a vários meses decidam se pretendem ou não utilizar os recursos”, escreve a juíza.


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