Lançado no interior cearense, o projeto
objetiva conscientizar a população para não caçar ou prender pássaros
silvestres em gaiolas. Estima-se que uma a cada oito espécies de aves está
ameaçada de extinção no Brasil
Com o tema
"Pássaro preso na gaiola não canta, pede socorro", a Secretaria do
Meio Ambiente de Várzea Alegre, na região Centro-Sul do Ceará, lançou a
campanha inédita no interior cearense, cujo objetivo é conscientizar estudantes
a não seguir um antigo hábito cultural do sertanejo: trancafiar em viveiros e
gaiolas aves silvestres da caatinga.
Mediante a
repercussão positiva nas redes sociais, a ideia deve chegar logo a outros
municípios cearenses. "Vamos fazer uma ampla campanha ambiental, colocar
fotos de pássaros com nome científico em gaiolas que foram apreendidas",
explica o secretário do Meio Ambiente de Várzea Alegre, J. Marcílio, autor da
ideia. "É crime ter pássaros silvestres em cativeiro", acrescenta o
titular da Pasta.
Algumas
espécies estão desaparecendo do sertão. Raramente, se encontram canários da
terra, caboclinho, azulão, pintassilgo, jacu, galo-de-campina, corrupião, sabiá
e asa-branca. Quem percorre estradas vicinais observa jovens com gaiolas e
armadilhas nas mãos em busca de apreender os pássaros.
Agravante
O
fechamento dos escritórios regionais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a precariedade na fiscalização
facilitam a ação predatória contra as aves silvestres no interior do Estado.
Nos alpendres das casas, é comum encontrar gaiolas e pássaros presos.
"Criar
aves silvestres em gaiolas é um costume antigo, que integrou a nossa
cultura", observa J. Marcílio. "Precisamos contribuir para mudar essa
realidade e vamos iniciar pelas crianças, adolescentes, estudantes que vão ser
conscientizados". A campanha vai começar pela rede municipal de ensino.
"Os jovens vão saber que é crime ambiental apreender pássaros silvestres e
vão levar essa mensagem para os pais e avós", prevê Marcílio.
Intensificação
A campanha
vai ganhar força a partir da abertura da Semana da Árvore, em 20 de março na
cidade de Várzea Alegre. "Estamos preparando as gaiolas com fotos de
pássaros, nome popular e científico e informar se estão na lista de aves
ameaçadas de extinção", avisa Marcílio. "Vamos educar, conscientizar
os jovens, porque os adultos que gostam de criar passarinhos em gaiolas
dificilmente mudarão de ideia", avalia.
O titular
da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), Artur Bruno, aprovou a ideia, e
um colega da Bahia pediu cópia do projeto para replicar em cidades baianas.
"A repercussão está bem maior, confesso que não esperava tanto retorno
assim de imediato", pontuou o prefeito de Várzea Alegre, Zé Hélder.
O
presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Nilson
Diniz, evidencia a importância da campanha e disse que vai levar a ideia para
outros gestores com o objetivo de que mais secretarias locais de meio ambiente
abracem a causa. "Precisamos preservar a nossa fauna e, antes de punir, creio
que o melhor caminho é a educação", diz. "É preciso ampliar o combate
ao tráfico de animais silvestres".
A campanha
pede que se denuncie o tráfico e tem o apoio da Polícia Ambiental, da
Superintendência Estadual do Meio Ambiente e do Ibama.
Importância
As aves têm
o papel de espalhar sementes na natureza, contribuindo para o reflorestamento
de fruteiras e árvores nativas. "Os passarinhos se alimentam de frutos e
fazem a semeadura no campo", observa o professor André Wirtzbiki.
"Lamentavelmente, houve uma drástica redução dos exemplares de espécies
nativas, que estão se extinguindo". De acordo com o relatório "State
of the World's Birds", divulgado em 2018 pela ONG BirdLife International,
uma em cada oito espécies está ameaçada de extinção. São 1.469 aves em perigo,
segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

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