Em entrevista, presidente do STF
descartou a possibilidade da candidatura de Lula ser rejeitada sem levar em
conta o direito à defesa
A
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia, afirmou
que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não pode tomar a iniciativa de barrar a
candidatura de Lula. As afirmações foram transmitidas na madrugada desta
segunda-feira, 21, em entrevista
ao programa Canal Livre, da Band.
De acordo
com a presidente do STF, “o Judiciário não age de ofício, e sim mediante
provocação”. Ou seja, mesmo cumprindo pena em Curitiba há mais de um mês, Lula
tem o direito de se candidatar e lutar na Justiça pelo direito de disputar as
eleições.
No entanto,
Cármen Lúcia destacou que os políticos condenados em órgãos colegiados, que é o
caso do ex-presidente, são inelegíveis devido à Lei da Ficha
Limpa – que prevê a inelegibilidade de candidatos após a condenação em
segunda instância.
“Isso foi
aplicado desde 2012. Eu não noto nenhuma mudança de jurisprudência no TSE. E o
Supremo voltou a este assunto, este ano, e reiterou a jurisprudência e a
aplicação da jurisprudência num caso de relatoria do ministro [Luiz] Fux, atual
presidente do TSE”, afirmou a ministra.
A discussão
foi levantada após ministros do TSE levantarem a possibilidade de proibir a
candidatura de Lula para evitar uma nova discussão no período eleitoral.
Outro ponto
abordado durante a entrevista ao Canal Livre foi a respeito das prisões após
decisão em segunda instância. De acordo com Cármen Lúcia, o assunto não deve
voltar ao plenário do STF até a sua saída da presidência, que ocorre em
setembro, quando Dias Toffoli assume.
Nas últimas
votações no plenário do STF, um placar equilibrado, contra e a favor de
propostas, tem sido presente. Não é incomum ver resultados de 6 a 5 – o STF tem
um total de 11 ministros. No entanto, Cármen Lúcia relaciona esses resultados
com a atual divisão política e ideológica no Brasil, além do fato do STF estar
presente em “todas as discussões”.
“Há uma
divisão no mundo, há uma divisão no Brasil, há uma divisão às vezes dentro de
famílias sobre a compreensão de mundo. Numa sociedade dessa, imagina o país
todo dividido e o Supremo votando sempre no mesmo sentido, sem ninguém ter
dúvida sobre outra visão de mundo. Acho que aí seria algo um pouco
desconectado”, disse a ministra.

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