SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ciro Gomes foi
filiado de primeira hora do PSDB -em 1990, dois anos depois da fundação do
partido, ele se elegeu governador do Ceará pela legenda. Nesta segunda (13),
após uma palestra em São Paulo, o hoje pré-candidato à presidência pelo PDT
criticou o partido, rival em potencial nas eleições de 2018.
"O PSDB já não é mais um partido sério
desde o [governo] Fernando Henrique", comentou, após participar de um
debate na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), em São Paulo.
Ele respondia a uma pergunta a respeito da
crise interna do PSDB, que se divide em relação ao apoio a Michel Temer.
Na semana passada, as tensões no tucanato se
acirraram quando Aécio Neves afastou Tasso Jereissati -antigo aliado de Ciro no
Ceará- da presidência interina da legenda e nomeou o paulista Alberto Goldman.
"Isso aí é só um desdobramento da
corrupção que o Fernando Henrique impôs à estrutura do PSDB", afirmou o
pedetista, em crítica à aliança do ex-presidente tucano com lideranças do PMDB
em seu governo (1995-2002).
"Renan Calheiros foi ministro da
Justiça do Brasil, minha filha. Ninguém se lembra disso -eu não esqueço. Foi
comandante em chefe da Polícia Federal. O Eliseu Quadrilha [em alusão a Eliseu
Padilha, atual ministro-chefe da Casa Civil] era ministro dos
Transportes."
Segundo o pedetista, "quem não quer ver
isso é o Tasso, que e vota pela absolvição do Aécio num dia e, no dia seguinte,
pede a renúncia. Estão pensando que estão enganando a quem?".
ALIANÇAS
Trabalhando na costura de apoios para sua candidatura,
Ciro tem repetido que se negará a tratar de alianças políticas com o PMDB:
"É necessário, inadiável".
O pedetista contou que busca alianças em um
"arco de esquerda democrática", com a participação de políticos de
centro.
"Neste momento, nem eu nem ninguém tem
a capacidade de responder a essa pergunta [quem serão seus aliados]."
Ele comparou a pré-corrida presidencial a um
treino de Fórmula 1, em que "cada carro está fazendo seu trecho sozinho,
para conhecer o circuito" e, assim, conseguir "obter um bom lugar no
grid de largada".
No entanto, o ex-governador do Ceará conta
que tem conversado formalmente com PSB, PC do B e PT -em 2018, poderá dividir
palanques com Lula em ao menos três Estados (Piauí, Ceará e Bahia).
Ciro falou a estudantes e professores da
FAAP acompanhado pelo filósofo Luiz Felipe Pondé, professor da instituição e
colunista da Folha de S.Paulo, e pelo fotógrafo J.R. Duran, que lançava na
ocasião a 10º edição de sua "Revista Nacional".
Pondé, durante a palestra, afirmou que
enxerga no Brasil uma polarização eleitoral entre o populismo de esquerda,
representado pelo ex-presidente Lula, e o populismo de direita, simbolizado
pela possível candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro. Para o filósofo,
há um vácuo de opções no centro, que "vive se bicando".
"Eu não sou de centro. Essa percepção
paulista de que haveria um lugar que adjetivamente se chama de centro para
proteger a gente de um populismo de esquerda, que é o Lula -se o Lula for de
esquerda, eu sou um perigoso comunista", disse Ciro à reportagem.
Ele critica a política econômica do
ex-presidente petista, segundo ele, igual à adotada por FHC. Ciro defende um
pacto de reindustrialização, redução das taxas de juros e a tributação de
heranças.
Ainda sobre a polarização discutida por
Pondé, o pedetista afirma ver uma "riqueza no processo brasileiro",
listando possíveis presidenciáveis: "Numa hora dessa, você tem eu, a
Marina [Silva], o Alckmin, o Doria, o menu aqui tem para todo gosto. A Manuela
D'Ávila".
MAIS
PRESIDENCIAL
No auditório da FAAP, o ex-governador disse,
em inglês, que "precisa ser mais presidencial a partir de agora",
frase que tem repetido em suas aparições.
O que ela significa? "Quer dizer que eu
tô virando de cientista político, de um acadêmico e de um militante a quem se
deve pedir um livre pensar para um candidato que não fala por si, fala por uma
corrente de opinião, por um partido partido", disse.
"E isso não muda. Não é outra cara.
Apenas eu não posso mais ser estritamente aquilo que um acadêmico como eu pode
ser, que fala o que quer, o que pensa, pouco importando se tem efeitos
eleitorais."
A reportagem comenta que Ciro é conhecido
entre seus pares por falar o que pensa e por ser explosivo. "Então estamos
pedindo que o político fale o que não pensa: ou seja, que fale a mentira. E
isso não vai acontecer comigo, não dá."
Significa que tentará se controlar?
"Nunca deixei de me controlar. Me diga qual foi a coisa que falei por
descontrole."
Ele afirma que a Folha de S.Paulo vem
"repetidamente fraudando" uma declaração sua a respeito de Marina
Silva e que o jornal "replicou uma informação de uma repórter do Estadão
que não entendeu nada do que ouviu".
Após um evento com empresários da indústria
no Rio, Ciro afirmou: "Não vejo ela [Marina] com energia, e o momento é
muito de testosterona. Não elogio isso. É mau para o Brasil, mas é um momento
muito agressivo e ela tem uma psicologia avessa a isso. Não sei, eu tô achando
que ela não é candidata."
Nesta segunda (13), disse que, nesse
episódio, censurava a agressividade do momento e elogiava Marina.
"Eu não disse que o momento é de
testosterona. Eu censuro o excesso de agressividade, de ódio, de testosterona
-que, nesse sentido, obviamente, para quem não está de má fé, querendo difamar,
como é o caso da Folha neste assunto, é uma coisa que não falei nada errado.
Não tem nada de descontrole", comentou.

Nenhum comentário:
Postar um comentário