segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Governo 'perde' R$ 1,3 bi por ano com pagamentos indevidos do INSS

Um levantamento realizado pelo jornal O Globo mostra que o INSS perde, por ano, R$ 1,3 bilhão com benefícios indevidos. Para se ter uma ideia do rombo, de janeiro a setembro a Previdência detectou 34,3 mil benefícios irregulares, custando R$ 110 milhões por mês aos cofres públicos. O valor ainda se soma aos R$ 1,2 bilhão pagos a beneficiários falecidos, descobertos nos últimos meses no processo de revisão de valores e pessoas que recebem auxílios.
O INSS informa que assim que foram detectados, os pagamentos foram interrompidos. O problema é que o dinheiro pago não costuma retornar facilmente ao governo, já que grande parte de quem recebe não tem condições de devolver as quantias.  No ano passado, a perda com esse tipo de “engano” custou R$ 2,8 bilhões, e ainda não há estimativa para o prazo de retorno do valor. Para evitar esse tipo de problema, o instituto adotou novas ferramentas para cruzar os dados dos beneficiários. Além disso, será instalado em São Paulo, em fase de testes, uma diretoria de compliance em uma tentativa de reduzir o problema. “É preferível que você pague indevidamente a quem não merece do que cessar o benefício para alguém que merece“, explica Leonardo de Melo Gadelha, presidente do INSS.
Prejuízo
De acordo com o Tribunal de Contas da União, 10% da folha de pagamentos do INSS possui irregularidades. Outro problema grave é o fato de o órgão não possui braço para comparecer às audiências. “Muitas vezes, a Justiça concede um benefício por conta da nossa omissão, e isso não é desejado”. Situações como essa têm feito o INSS gastar R$ 58 bilhões no ano, de acordo com a estimativa para 2018. A instituição explica que vai ampliar parcerias para que o Poder Judiciário tenha acesso ao banco de dados da Previdência.
Irregularidades
O levantamento mostra que a maior parte dos casos de irregularidades está nos benefícios de prestação continuada, que são pagos a idosos e deficientes de baixa renda. Aposentadoria por idade, pensão por morte, aposentadoria por tempo de contribuição e invalidez também concentram diversas irregularidades. O Bolsa Família, programa de assistência a famílias de baixa renda que possuam filhos em idade escolar que frequentem as aulas, teria pago 53 mil benefícios irregulares, 43 mil deles a famílias com uma renda per capita maior do que 25% do salário mínimo.
Revisão
A expectativa da Previdência é de que os levantamentos e revisões identifiquem e ajudem a cortar gastos de até R$ 15 bilhões. Atualmente, são gastos quase R$ 600 bilhões por ano com esses pagamentos.


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