sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Entenda como José Crespo voltou a ser prefeito de Sorocaba

Liminar do TJSP suspendeu decreto da Câmara que tinha cassado mandato de Crespo em 24 de agosto. Jaqueline Coutinho ficou à frente da prefeitura por 43 dias.
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que colocou José Crespo (DEM) de volta à frente da Prefeitura de Sorocaba (SP), nesta quinta-feira (5), foi mais um capítulo da crise política que se estabeleceu na cidade há quatro meses.
A liminar do TJ-SP determina que ele volte a comandar o Executivo no lugar de Jaqueline Coutinho (PTB), que tinha assumido a prefeitura após os vereadores votarem a favor da cassação do mandato de Crespo.
Além de recorrer junto ao TJ, a defesa de Crespo também entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, mas ainda não há data para o processo ser analisado pela ministra Rosa Weber.
Confira os principais pontos da disputa política desde o início, em junho, passando pela sessão histórica que cassou o mandato de Crespo até a decisão do TJ que devolveu o cargo a ele:
Jaqueline vai a público dizer que foi humilhada por Crespo durante uma reunião em que denunciou a suposta falta de diploma da assessora Tatiane Polis, que teria cursado apenas até a 6ª série do ensino fundamental;
Vereadores abrem uma Comissão Processante para apurar a quebra de decoro e crime de prevaricação por parte de Crespo;
Tatiane Polis depõe na Câmara e apresenta o diploma de conclusão do ensino médio de uma instituição de ensino do Rio de Janeiro. Secretaria da Educação do RJ afirma que não reconhece a validade do documento;
A assessora pede exoneração do cargo de assessora III, com salário de R$ 9,1 mil. Dois dias depois, é indiciada pela Polícia Civil por uso de documento falso;
Crespo manda Jaqueline desocupar o gabinete na prefeitura em 24 horas e se ausentar do cargo. A vice registra boletim de ocorrênciacontra o prefeito;
Comissão Processante conclui que Crespo é culpado pelo crime de prevaricação - por se omitir no caso do diploma falso usado por sua assessora - e por quebra de decoro - por ter humilhado a vice-prefeita. Relatório pede cassação do mandato em sessão extraordinária na Câmara;
Diante da possibilidade real de ter o mandato cassado, Crespo exonera dois vereadores aliados do cargo de secretário para que eles possam votar a seu favor na sessão da Câmara;
Durante a sessão, a oposição manobra para impedir Anselmo Neto (PSDB) de votar a favor do prefeito. O suplente assume e vota pela cassação, que é aprovada. Placar final: 14 votos a favor e 6 contra;
Jaqueline é empossada e se torna a primeira mulher prefeita de Sorocaba;
No dia seguinte à sessão, Jaqueline é recebida sob aplausos no Paço Municipal;
Em entrevista ao G1, especialistas em Direito Civil e Constitucional afirmam que a manobra política que impediu o voto de Anselmo Neto deve ser contestada na justiça;
A prefeita recém-empossada anuncia sua equipe de governo, incluindo dois ex-candidatos à prefeitura em 2016: João Leandro (PSDB) e Glauber Piva (PT), nas secretarias de Governo e Cultura, respectivamente;
TJSP nega recurso de Anselmo Neto que pedia que a sessão fosse anulada;
Crespo também entra com pedido para que sessão da Câmara seja anulada, mas tem solicitação negada por uma juíza de Sorocaba;
O advogado Anselmo Bastos protocola na Câmara e no Ministério Público um pedido de cassação da prefeita e de vereadores, com a acusação de que houve um esquema para cassar o mandato de Crespo em troca de cargos na prefeitura;
MP pede explicações ao vereador Irineu Toledo, que teria insinuado a existência de distribuição de cargos aos parlamentares que votaram a favor da cassação;
Liminar do TJSP anula decreto da sessão que cassou Crespo e devolve a ele o cargo de prefeito de Sorocaba;
Após 43 dias como prefeita, Jaqueline Coutinho fala com a imprensasobre a liminar da Justiça: "Dever cumprido".


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