BRASÍLIA,
DF (FOLHAPRESS) - O senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no
Congresso, rejeitou a proposta do uso do fundo partidário ao combate ao
coronavírus e vinculou a utilização dos R$ 2 bilhões do fundo eleitoral ao
adiamento das eleições.
O
posicionamento do líder do governo foi apresentado na quinta-feira (26) no
relatório da MP (Medida Provisória) 924/2020, que abre crédito extraordinário
de R$ 5 bilhões para os Ministérios da Educação e da Saúde desenvolverem ações
de combate ao Covid-19.
Gomes, que
era relator da proposta, aceitou parcialmente uma emenda do líder da Rede,
senador Randolfe Rodrigues (AP), que pedia a autorização para o Poder Executivo
a remanejar recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral para injetar recursos na
saúde e na economia.
O Orçamento
de 2020, além dos R$ 2 bilhões para o Fundo Eleitoral, reservou R$ 1 bilhão
para os partidos gastarem na as despesas com atividades das legendas como
contas de luz, água, aluguel das sedes e transporte.
Segundo o
relator, somente se a evolução da pandemia no Brasil impeça as eleições
municipais de outubro, o dinheiro deve ser bloqueado e usado para combater ao
vírus, tratar os doentes e complementar a renda de pessoas prejudicadas pelo
estado de calamidade.
A decisão
de Gomes vai contra da linha defendida nas redes sociais por apoiadores e
filhos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Na semana
passada, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) chegou a protocolar um projeto
autorizando a transferência do fundo eleitoral. Outros congressistas apoiadores
do presidente, como Carla Zambelli (PSL-SP) e Sanderson (PSL-RS), fizeram
propostas similares.
Nas redes
sociais, uma petição com 1,1 milhão de assinaturas também pede ao Congresso que
transfira os recursos dos fundos ao combate à pandemia.
Editada no
dia 13 de março, a MP ainda teria que ser votada primeiro na CMO (Comissão
Mista do Orçamento) e, depois, na Câmara e no Senado. Mas é possível que o relatório
de Eduardo Gomes seja analisado diretamente nos Plenários das duas Casas.
O jornal
Folha de S. Paulo mostrou no último dia 20 que a crise provocada pelo
coronavírus e a incerteza sobre a extensão e a duração da pandemia levaram
congressistas a iniciar um movimento em defesa do adiamento das eleições
municipais previstas para outubro de 2020.
As eleições
estão previstas para começar apenas no dia 16 de agosto, mas até lá parte do
calendário eleitoral pode ser afetado.
Dirigentes
debatem a necessidade de achar uma saída jurídica para o caso de a crise se
estender até o início das campanhas.
Na segunda
(23), a presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitora), ministra Rosa Weber, em
nota, afirmou que o adiamento da eleição é um "debate precoce". A
hipótese havia sido defendida na véspera pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique
Mandetta.

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