A Justiça
Federal proibiu na manhã deste sábado (29/03) o governo federal de veicular a
campanha "O Brasil não pode parar" contra as medidas de isolamento
social adotadas por Estados brasileiros nas últimas semanas para combater a
pandemia do novo coronavírus.
A decisão
em caráter liminar foi tomada pela juíza Laura Bastos Carvalho em resposta a
uma ação civil pública movida pelo Ministério Público.
A juíza
ordena que o governo se abstenha de divulgar peças publicitárias desta campanha
ou qualquer que "sugira à população brasileira comportamentos que não
sejam estritamente embasados nas diretrizes técnicas, emitidas pelo Ministério
da Saúde, com fundamento em entidades científicas de notório conhecimento no
campo de epidemiologia e de saúde pública".
Isso se
aplica a todos os perfis oficiais vinculados ao governo federal em redes
sociais, aplicativos de mensagens ou qualquer outro canal digital.
O governo
deve ainda, em até 24 horas, divulgar em canais de comunicação físicos ou
digitais uma nota em que reconhece que a campanha não está embasada em
informações científicas e que, portanto, seu conteúdo não deve ser seguido pela
população ou por autoridades como embasamento para decisões relativas a medidas
de saúde pública.
O Planalto
também é obrigado a promover uma campanha de informação sobre as formas de
transmissão da covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, seguindo as
recomendações técnicas atuais, no prazo de 15 dias.
O
descumprimento da decisão implicará no pagamento de uma multa de R$ 100 mil por
infração.
Planalto
nega que tenha veiculado campanha
Em nota, a
Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom)
informou que o vídeo da campanha que circula em redes sociais foi produzido em
caráter experimental e seria uma "proposta inicial para possível uso nas
redes sociais, que teria que passar pelo crivo do Governo".
Mas, segundo
a Secom, a campanha "não chegou a ser aprovada e tampouco veiculada em
qualquer canal oficial do governo federal".
"Cabe
destacar, para não restar dúvidas, que não há qualquer campanha do governo
federal com a mensagem do vídeo sendo veiculada por enquanto, e, portanto, não
houve qualquer gasto ou custo neste sentido", diz nota.
"Também
se deve registrar que a divulgação de valores de contratos firmados pela Secom
e sua vinculação para a alegada campanha não encontra respaldo nos fatos. Mesmo
assim, foram alardeados pelos mesmos órgãos de imprensa, que não os checaram e
nem confirmaram as informações, agindo, portanto, de maneira
irresponsável."

Nenhum comentário:
Postar um comentário