Governo estuda maneira de coordenar restrições nacionais contra Covid-19, mas sem defender lockdown
Marcelo Queiroga, novo ministro, quer que governo edite regras sobre o tema
Novo
ministro é pressionado a agir por governadores, que discordam do presidente
Jair Bolsonaro sobre ações a serem tomadas
Sob a gestão de Marcelo Queiroga, novo ministro da Saúde,
o governo estuda emitir diretrizes nacionais sobre o
funcionamento de comércios e circulação de pessoas. A ideia é estipular
protocolos sanitários para estabelecimentos comerciais, mas sem necessariamente
dar endosso a restrições mais rígidas do que as praticadas hoje por
governadores.
A
interlocutores, Queiroga disse que é essencial que o governo edite regras,
ainda que sejam apenas orientações, sobre o que pode e o que não pode ser feito
nos estados. Ele manifestou ser contrário ao “lockdown” defendido por alguns
secretários de saúde, mas falou sobre regras bem definidas para que estabelecimentos possam funcionar durante a pandemia
do novo coronavirus.
Queiroga já
recebeu pedido de governadores para que coordene orientações de restrição a
nível nacional. Os gestores estaduais solicitaram uma agenda para debater o
tema com o ministro. Alguns defendem o “lockdown”, ou seja, uma proibição geral
de circulação, o que no Brasil não chegou a existir.
A
elaboração de protocolos nacionais sobre distanciamento foi discutida na
reunião com o presidente Jair Bolsonaro na última segunda-feira.
O novo ministro demonstrou concordar com o argumento do presidente de que a
atividade econômica não pode ser totalmente prejudicada por restrições de
circulação. Ele acredita, porém, que é importante que o Ministério da Saúde dê
alguma orientação sobre o assunto para os estados e municípios.
Em
conversas com deputados, o ministro disse que, em sua gestão, quer trabalhar em
conjunto com governadores e prefeitos para que não haja orientações dissonantes
à população sobre o tratamento da Covid-19. Queiroga defende o uso de máscaras
e medidas de distanciamento social para conter o vírus.
Governo
pressionado por aumento da pandemia
Em diversas ocasiões, quando foi cobrado sobre o assunto, Bolsonaro e seus ministros alegaram que as decisões sobre circulação de pessoas cabiam aos governadores, de acordo com uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O STF, porém, nunca proibiu o governo federal de elaborar suas próprias instruções sobre restrições de circulação, definindo apenas que o tema é de legislação concorrente e que os demais entes podem tomar medidas mais rígidas do que as de âmbito nacional.
O governo
foi pressionado, nas últimas semanas, a mudar a estratégia em relação à
pandemia. O recorde de mortes, o ritmo lento da vacinação e a pressão do
Congresso fez com que Bolsonaro decidisse demitir Eduardo Pazuello, ministro da
Saúde que, formalmente, ainda está à frente da pasta. No seu lugar, escolheu o
médico cardiologista Marcelo Queiroga, com um perfil mais técnico e que já sinalizou
um discurso mais moderado do que era o de Pazuello, ainda que venha até agora
participando de agendas conjuntas e feito discurso de continuidade.


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