Presidente do Senado diz que não pretende acatar a
orientação de Michel Temer e que vai apoiar a candidatura de um aliado de seu
estado
O anúncio
de Henrique Meirelles como pré-candidato do MDB à Presidência nas eleições
deste ano desagradou um dos principais membros do partido: o presidente do
Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). A pré-candidatura foi anunciada na última
terça-feira, 22, por Michel Temer, que convidou a se retirar do partido
quem se recusar a apoiar a decisão.
Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, ao ser questionado se pretende
seguir a recomendação de Temer, Eunício deixou claro que vai apoiar um
candidato que seja do campo de alianças que costura em seu estado, o Ceará.
Neste rol está o governador Camilo Santana (PT) e parlamentares do PDT, do
presidenciável Ciro Gomes.
“Eu vou ficar no MDB e vou tomar a minha própria decisão em relação a
coligações estaduais e à Presidência da República. Não vou sair e ninguém me
tira. Tenho 45 anos de partido e uma única filiação. Nasci no MDB, numa
família de emedebistas”, disse o presidente do Senado.
Eunício justificou sua recusa afirmando que Meirelles nunca foi nem é do
MDB. “Eu lamento que a direção nacional não tenha construído uma candidatura
viável do partido. Aqui no Senado eu já vi gente se filiando de manhã para
ocupar lugares na Mesa Diretora à noite. Sinceramente, eu não tenho nenhuma
relação pessoal com o ex-ministro Meirelles. O conheci como presidente do BC
(Banco Central). Ele nunca exerceu nenhum mandato pelo MDB. Não sei nem por
quais partidos ele passou. Sei que do MDB ele não é”, disse o senador.
Questionado se está confrontando o presidente da República, Eunício disse
que Temer “é um filiado do MDB como outro qualquer” e que no partido “ninguém é
maior que ninguém”. “Esse é o MDB que eu nasci nele e vou morrer nele. Não vou
aceitar que ninguém me faça cobrança e me ameace. Já tive muita divergência
dentro do partido, mas nunca saí e não vou mudar. Não vou cumprir missão de
quem quer que seja. Vou morrer com a bandeira do Brasil em cima do caixão, a do
Ceará e a do MDB”, disse o senador, que também falou sobre a alta no preço dos
combustíveis e a reforma da Previdência,

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