sábado, 11 de novembro de 2017

O sistema de energia solar autossuficiente criado em Ruanda

Empresa britânica assumiu o desafio de levar eletricidade a uma área rural em Ruanda e acabou por desenvolver um método pioneiro
Em um mundo em que cerca de 1,2 bilhão de pessoas – 16% da população do planeta – não têm acesso à eletricidade, uma empresa britânica assumiu o desafio de fornecer energia elétrica para regiões em desenvolvimento. Para isso, a empresa deu o pontapé inicial em Rwamagana, uma pobre área rural em Ruanda.
Com apenas 20% da população com energia elétrica em casa, Ruanda é um dos países onde o acesso à eletricidade é mais limitado. Esse cenário acaba reforçando a enorme pobreza no país e freia o objetivo de se tornar a “Cingapura da África”.
Essas condições do país, no entanto, fizeram Laurent Houcke, chefe de operações da empresa de energia BBOXX, enxergar uma grande oportunidade de mercado. “Há enormes oportunidades de empreendedorismo, assim como grandes possibilidades de impactar vidas”, disse o empresário britânico.
A solução encontrada pela BBOXX foi produzir, instalar e fazer empréstimos para carregadores hipereficientes de energia solar em áreas sem acesso à eletricidade. A empresa desenvolveu painéis autossuficientes que são instalados nos telhados das casas e guardam energia durante a noite, enquanto enviam dados de performance e sua geolocalização para a base da empresa via conexão 2G de celular.
A iniciativa de instalar painéis autossuficientes em Ruanda começou ainda na Universidade Imperial College, em Londres, quando Van Houcke ainda cursava engenharia elétrica. Ele e outros dois colegas, Christopher Baker-Brian e Mansoor Hamayun, fundaram a Equinox, uma organização de caridade voltada para levar energia a algumas comunidades do país.
No entanto, após uma visita à capital do país, Kigali, em 2009, os três enxergaram a possibilidade de levar energia à uma pequena comunidade rural com cerca de 200 casas e descobriram que as famílias estavam dispostas a pagar pelo que era consumido. Com isso, saltaram da caridade para o mundo empresarial.
“Nossa motivação virou aumentar o negócio, o que significa fazer dinheiro e cobrar clientes em vez de vê-los como beneficiários”, disse Baker-Brian, que hoje é chefe de tecnologia da BBOXX. Ele explica que a mudança se justificou pela necessidade de investir a longo prazo, já que projetos gratuitos tendem a ser limitados por dependerem de doações.
Em apenas quatro anos, a empresa levou energia a cerca de 130 mil lares e fizeram negócios em 35 países – até 2020, eles pretendem chegar a mais de um milhão de lares.



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