Empresa britânica assumiu o desafio de
levar eletricidade a uma área rural em Ruanda e acabou por desenvolver um
método pioneiro
Em um mundo
em que cerca de 1,2 bilhão de pessoas – 16% da população do planeta – não têm
acesso à eletricidade, uma empresa britânica assumiu o desafio de fornecer
energia elétrica para regiões em desenvolvimento. Para isso, a empresa deu o
pontapé inicial em Rwamagana, uma pobre área rural em Ruanda.
Com apenas
20% da população com energia elétrica em casa, Ruanda é um dos países onde o
acesso à eletricidade é mais limitado. Esse cenário acaba reforçando a enorme
pobreza no país e freia o objetivo de se tornar a “Cingapura da África”.
Essas
condições do país, no entanto, fizeram Laurent Houcke, chefe de operações da
empresa de energia BBOXX, enxergar uma grande oportunidade de mercado. “Há
enormes oportunidades de empreendedorismo, assim como grandes possibilidades de
impactar vidas”, disse o empresário britânico.
A solução
encontrada pela BBOXX foi produzir, instalar e fazer empréstimos para
carregadores hipereficientes de energia solar em áreas sem acesso à
eletricidade. A empresa desenvolveu painéis autossuficientes que são instalados
nos telhados das casas e guardam energia durante a noite, enquanto enviam dados
de performance e sua geolocalização para a base da empresa via conexão 2G de
celular.
A
iniciativa de instalar painéis autossuficientes em Ruanda começou ainda na
Universidade Imperial College, em Londres, quando Van Houcke ainda cursava
engenharia elétrica. Ele e outros dois colegas, Christopher Baker-Brian e
Mansoor Hamayun, fundaram a Equinox, uma organização de caridade voltada para
levar energia a algumas comunidades do país.
No entanto,
após uma visita à capital do país, Kigali, em 2009, os três enxergaram a
possibilidade de levar energia à uma pequena comunidade rural com cerca de 200
casas e descobriram que as famílias estavam dispostas a pagar pelo que era
consumido. Com isso, saltaram da caridade para o mundo empresarial.
“Nossa
motivação virou aumentar o negócio, o que significa fazer dinheiro e cobrar
clientes em vez de vê-los como beneficiários”, disse Baker-Brian, que hoje é
chefe de tecnologia da BBOXX. Ele explica que a mudança se justificou pela
necessidade de investir a longo prazo, já que projetos gratuitos tendem a ser
limitados por dependerem de doações.
Em apenas
quatro anos, a empresa levou energia a cerca de 130 mil lares e fizeram
negócios em 35 países – até 2020, eles pretendem chegar a mais de um milhão de
lares.

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