O ministro
do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso criticou a forma como as
pessoas são punidas no Brasil.
“Nosso
Direito é feito para prender menino pobre com 100 gramas de maconha”, disse o
ministro do no Fórum sobre “Combate à Corrupção e Compliance”, promovido pela
Escola Brasileira de Direito (EBRADI), na ExpoTransamerica, em São Paulo,
segundo o jornal O Estado de S. Paulo.
Para
Barroso, o direito penal brasileiro não consegue atingir quem ganha mais de 5
salários mínimos “e criou um País de ricos delinquentes”.
Barroso
afirmou que a Operação Lava Jato tem tirado o véu que escondia a corrupção
naturalizada no País. “É impossível não sentir vergonha com o que aconteceu no
Brasil”, afirmou ele, uma das principais vozes a favor da operação na Corte.
Considerado
também um dos mais rígidos em questões penais, o ministro defendeu a execução
da pena em segunda instância. O STF já votou sobre o tema, mas o assunto deve
voltar à Corte e alguns ministros podem mudar de ideia. “Não podemos mudar a
jurisprudência de acordo com o réu”, argumentou.
Barroso
também defendeu o fim do modelo amplo para foro privilegiado. “Defendo que só
exista foro para casos no exercício do mandato. Isso eliminaria 80% dos casos”.
Ele afirmou
ainda que existe uma “operação abafa indecente acorrendo no Brasil”.
“Parte da
elite brasileira acha que corrupção ruim é a dos outros. Não há corrupção de
esquerda ou de direita. (…) O financiamento eleitoral está na origem de boa
parte da corrupção do Brasil”, considerou.

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