Em evento dos procuradores da República
em Porto de Galinhas (PE), ela afirmou que 'instituições podem perder credibilidade'
se entendimento for alterado.
A
procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu nesta
quarta-feira que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha
a decisão de que réus podem ser presos a partir de condenações em segunda
instância. Caso a Corte decida rever o tema, segundo Dodge, a pena será a perda
de credibilidade nas instituições.
“Nossa
agenda mais recente deve incluir a luta pelo fim da impunidade. Para isto, é
necessário defender no Supremo Tribunal Federal o início da execução da pena
quando esgotado o duplo grau de jurisdição, com a condenação do réu pelo
Tribunal intermediário”, disse a procuradora-geral.
Raquel
Dodge participou da abertura do 34º Encontro Nacional de Procuradores da
República, promovido pela Associação Nacional dos Procuradores da
República (ANPR), em
Porto de Galinhas (PE), que acontecerá até domingo.
Em outubro
do ano passado, o STF determinou
que é constitucional a execução da pena após segunda instância. Neste ano, no
entanto, os ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello já indicaram que a
Corte pode rever a decisão. A Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou um
parecer ao Supremo, em outubro, pedindo que o plenário reveja a decisão.
Em seu
discurso, Dodge afirmou que, caso os ministros mudem a determinação, as
instituições podem perder credibilidade. “O sistema de precedentes vinculantes
adotado no Brasil exige que a decisão do Pleno do STF, que afirmou a
constitucionalidade da prisão após a segunda instância, seja respeitada, sob
pena de reversão da credibilidade nas instituições, como capazes de fazer a
entrega da prestação jurisdicional de modo seguro, coerente e célere”,
concluiu.
Corrupção
À plateia
de procuradores da República, Raquel Dodge declarou que precisa continuar o
trabalho contra a corrupção, “para que os esforços seguros feitos nos últimos
anos permaneçam nos vindouros”. Ela disse ainda que os corruptos “são escravos
da ganância e perpetuadores da desigualdade”, porque desviam recursos dos mais
necessitados e promovem a ideia de que estão acima da lei.
Em seguida,
emendou: “Aos poucos, aos poucos, por causa da firmeza das instituições, dentre
elas o Ministério Público do Brasil e, notadamente, o Ministério Público
Federal, a defesa da dignidade humana e de uma sociedade mais honesta e mais
justa abre espaço no debate público para uma agenda diferente para o Brasil”.
A fala de
Dodge ocorreu no mesmo dia em que se tornou pública a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR),
em que pediu ao STF que o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB), seja
ouvido. Segundo a procuradora-geral, não
há dúvidas de que Nunes recebeu ilegalmente da Odebrecht 500.000 reais
na campanha de 2010.

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