BRASÍLIA,
DF (FOLHAPRESS) - O ministro Marco Aurélio, do STF (Supremo Tribunal Federal),
disse nesta quarta-feira (27) que o Senado Federal tem autonomia para analisar
a decisão da corte que afastou o tucano Aécio Neves (PSDB-MG) de suas funções
parlamentares.
"Sustentei,
sem incitar o Senado à rebeldia, na minha decisão, que, como o Senado pode
rever uma prisão determinada pelo Supremo, ele pode rever uma medida
acauteladora", disse Marco Aurélio a jornalistas ao chegar à sessão do
tribunal.
"Não
estou incitando o Senado a reverter. Se ele pode mais, que é rever até uma
prisão, o que dirá a suspensão do exercício do mandato. Não estou adiantando
ponto de vista, eu sustentei isso no meu voto."
Nesta
terça-feira (26) a primeira turma do STF afastou Aécio e determinou que ele
cumpra recolhimento domiciliar. Os ministros analisaram pedido que havia sido
feito pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot. Aécio já havia sido afastado em
maio por decisão de Edson Fachin, que homologou a delação dos executivos da
JBS. Ele foi gravado secretamente pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS,
pedindo R$ 2 milhões.
O caso
mudou de relatoria e caiu, por sorteio, com Marco Aurélio, que devolveu o
mandato ao tucano. A PGR recorreu e denunciou Aécio, sob as acusações de
corrupção passiva e obstrução da Justiça. O recurso de Janot foi analisado na
tarde de terça (26).
A
expectativa é de que o plenário do Senado se manifeste nesta quarta sobre a
decisão do STF.
No
entendimento de alguns senadores, por se tratar de medida análoga à prisão, a
decisão da Justiça precisa de um aval colegiado.
Um
dispositivo da Constituição determina que parlamentares em exercício da função
só podem ser presos em flagrante e após análise da Casa correspondente. No caso
de Aécio, o plenário do Senado.
Para Marco
Aurélio, a decisão da turma equivale a uma determinação de prisão contra Aécio.
"O que
tivemos foi a decretação de uma prisão preventiva em regime aberto. Vamos usar
o português. Ao invés de ele se recolher a casa do albergado, ele se recolhe à
própria residência, que acredito que seja mais confortável", disse o
ministro.
Ele afirmou
que o Senado deve ser notificado oficialmente sobre a decisão do afastamento
até o fim desta semana.
Questionado
se caberia à defesa recorrer da decisão da turma e tentar levar o caso para o
plenário do Supremo, Marco Aurélio disse que não.
"Não
vejo instrumental agora para deslocar para o plenário do STF", afirmou.
"A não
ser que venham embargos declaratórios com um enfoque. E vamos aguardar pela
criatividade do doutor Toron", disse, em referência a Alberto Toron,
advogado do tucano.
Depois da
decisão da turma, o defensor afirmou que vai recorrer. Segundo ele, é possível
submeter ao STF um pedido de reconsideração.

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