O presidente
Jair Bolsonaro terá que prestar esclarecimentos em mais um processo na
Justiça.
O deputado
federal Célio Studart (PV-CE) ingressou na quinta-feira (30) na Justiça Federal
do Ceará com ação popular para que o presidente apresente provas que diz ter
sobre supostas fraudes nas eleições de 2018. A peça é assinada pelos advogados
Márlon Reis, um dos idealizadores e redatores da Lei da Ficha Limpa e fundador
do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, e Rafael Estorilio.
Em março,
durante palestra em Miami, nos Estados Unidos, Bolsonaro disse ter provas de
fraude com as urnas eletrônicas na eleição de 2018. Ele afirmou que deveria ter
sido eleito no primeiro turno e que, no segundo turno, teria feito mais votos
do que foi contabilizado.
“Eu
acredito, pelas provas que eu tenho nas minhas mãos, que vou mostrar
brevemente, eu fui eleito em primeiro turno. Mas, no meu entender, houve
fraude”, disse Bolsonaro.
“E nós
temos não apenas palavra, nós temos comprovado. Brevemente eu quero mostrar,
porque nós precisamos aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos.
Caso contrário, passível de manipulação e de fraudes”, afirmou na
ocasião.
No último
dia 28 de abril, após ser cobrado pela imprensa em frente ao Palácio da
Alvorada sobre a apresentação das provas , limitou-se apenas a dizer que o
faria juntamente com um projeto de lei sobre o tema, sem mencionar qualquer
data, além de ter alegado não ter obrigação de apresentá-las à imprensa. “Se eu
não tivesse [as provas] eu não falaria, meu Deus. Eu sei do peso do que eu
falo”, declarou quase 50 dias após a fala nos Estados Unidos.
Os autores
da ação avaliam que, ao continuar sem mostrar nada concreto que comprove suas
acusações, o mais alto mandatário da República influencia parcela do eleitorado
que votará nas eleições municipais de 2020, ao colocar a confiança da Justiça
Eleitoral e a segurança das urnas eletrônicas em xeque. Por isso, avaliam ser
necessária uma “pronta solução” ao que consideram um impasse antes das eleições
se aproximarem.
Além disso,
consideram que, se o presidente entende haver fraude nas urnas, caberia a ele
então apresentar o que sustenta suas acusações, até para permitir ao Ministério
Público Federal promover as devidas investigações.
Na ação, os
autores lembram ainda que Bolsonaro vem fazendo, não é de agora, severas
críticas ao sistema de votação por meio da urna eletrônica, adotado no Brasil.
“O presidente é um detrator contumaz da transparência deste sistema”, diz
trecho do documento.
JUSTIÇA
ELEITORAL
Em março, o
Tribunal Superior Eleitoral rebateu as acusações e reiterou que “o sistema
brasileiro de votação e apuração é reconhecido internacionalmente por sua
eficiência e confiabilidade”. “Eleições sem fraudes foram uma conquista da
democracia no Brasil, e o TSE garantirá que continue a ser assim”, diz trecho
de nota oficial.

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