Circula
pelas redes sociais uma montagem com duas fotos. Em destaque, na parte
superior, há uma imagem que mostra vários homens diante de um caixão aberto,
que contém um saco em seu interior. A legenda afirma se tratar de caixões
vazios que estariam sendo enterrados na Amazônia para provocar pânico na
população, por conta da pandemia de Covid-19. Outra foto mostra uma fila de
caixões numa vala comum sendo cobertos de terra por uma retroescavadeira, e que
estariam vazios segundo “denúncia do Jornal da Band”. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do
Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o
trabalho de verificação da Lupa:
“Denuncia gravíssima. No amazônia. Caixões
vazios. Só pra causar pânico na população com número alto de óbito por
covid-19”
Texto em post no Facebook que, até as
12h de 29 de abril de 2020, tinha mais de 6,5 mil compartilhamentos
FALSO
A
informação analisada pela Lupa é
falsa. A foto na parte superior da montagem, que mostra um caixão vazio aberto,
não tem nenhuma relação com a pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo
coronavírus. A imagem original foi registrada pelo fotógrafo Milton Rogério e
publicada no site São Carlos Agora em 30 de maio de 2017. Na
época, a polícia descobriu que um grupo de pessoas em São Carlos, no interior
de São Paulo, forjou a morte de uma moradora de rua para ganhar o dinheiro do
seguro de vida.
Segundo
reportagem do UOL, o grupo, liderado por um ex-agente funerário, fez seis
apólices no nome da mulher, com valores entre R$ 800 mil e R$ 1,4 milhão.
Meses antes, eles aproximaram-se da moradora de rua. Dizendo que iriam,
ajudá-la, convenceram-na a solicitar a segunda via do RG e do CPF no Poupatempo
da cidade. A quadrilha reteve os protocolos e, mais tarde, retirou os
documentos, sem que ela soubesse. A moradora de rua viajou algum tempo depois
para Matão (SP).
Com o apoio
de um médico, a quadrilha então falsificou o atestado de óbito e fez o
“enterro” da mulher no cemitério Nossa Senhora do Carmo, em um caixão lacrado
“por ordens médicas”. Dois meses depois, uma integrante do grupo tirou a
certidão de óbito em um cartório da cidade, que serviria para resgatar o
dinheiro das apólices. A Polícia Civil, no entanto, desvendou o golpe. Durante
a investigação, o caixão foi desenterrado e ficou comprovado que não havia
corpo, como se pode ver na foto compartilhada nas redes sociais. No interior havia
apenas uma pedra e um saco de serragem. O site São Carlos Agora mostra toda a
operação em uma galeria de imagens.
A segunda
cena, que aparece na parte inferior da montagem e mostra uma fila de caixões em
uma vala comum, aconteceu de fato no Amazonas, durante a pandemia de Covid-19.
A Lupa mostrou recentemente,
no entanto, que é falsa a informação de que estavam vazios e que isso foi
noticiado pelo Jornal da Band. Isso foi negado tanto pela Band Nacional como pela Band Amazonas, bem como pela prefeitura de Manaus (AM), responsável pelos
cemitérios do município.
por MAURÍCIO MORAES

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